Acesso à internet avança no Brasil, mas desigualdade persiste entre classe social e território
Pesquisa mostra expansão entre os mais pobres, mas diferença na qualidade e no tipo de uso ainda marca o cenário digital
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
O Brasil alcançou, em 2025, seu maior nível de conectividade, com 86% dos domicílios tendo acesso à internet, segundo a pesquisa TIC Domicílios. O crescimento é impulsionado principalmente pela expansão entre as classes D e E, que saltaram de 15% de cobertura em 2015 para 73% neste ano. Apesar do avanço, a desigualdade permanece evidente: enquanto o acesso nas classes A e B chega a 99% e 95%, respectivamente, um quarto dos brasileiros de baixa renda segue desconectado, e a maioria depende exclusivamente do celular para navegar. Diferenças também aparecem entre zones urbana e rural, escolaridade e idade, com apenas 54% das pessoas acima de 60 anos usando a rede.
A qualidade da conexão reforça as disparidades. Embora a fibra óptica seja hoje o principal meio de acesso, ela está presente em apenas 60% dos lares das classes mais pobres. Entre usuários de pacotes móveis, 33% relatam perda de velocidade ao esgotar a franquia e até 37% precisam contratar dados extras. O estudo também revela como os brasileiros utilizam a internet: mensagens instantâneas (92%), chamadas de vídeo (81%) e redes sociais (80%) seguem como principais atividades, enquanto o uso para pagamentos via Pix já é realidade para 75% da população. A pesquisa registrou ainda que 19% dos brasileiros acessam plataformas de apostas online e 32% utilizam ferramentas de inteligência artificial, com forte concentração entre pessoas de maior renda e escolaridade.
O governo eletrônico também se consolidou no cotidiano dos usuários: a plataforma gov.br é acessada por 56% dos brasileiros, alcançando 94% entre os mais ricos, mas apenas 35% nas classes D e E. As diferenças regionais permanecem, com o Nordeste registrando o menor índice de uso (48%). Para os pesquisadores, os dados mostram que o país avançou na inclusão digital, mas ainda enfrenta barreiras estruturais que afetam não apenas o acesso físico à rede, mas a qualidade da navegação e as oportunidades geradas pelo mundo digital.