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Apevisa orienta sobre sinais de adulteração em bebidas alcoólicas; saiba como denunciar


Por: REDAÇÃO Portal

Três casos de intoxicação por metanol em Pernambuco são investigados. Duas pessoas morreram.

01/10/2025
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Três casos de intoxicação por metanol em Pernambuco são investigados. Duas pessoas morreram.

Foto: Reprodução/Adobe Stock

Após a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) informar que investiga três possíveis casos de intoxicação por metanol no estado, a Apevisa também emitiu algumas orientações sobre como identificar sinais de adulteração em bebidas alcoólicas. Apesar de não haver confirmação se os casos estão diretamente associados ao consumo de destilados, ações de fiscalização em distribuidoras já são preparadas. No Agreste, das três vítimas, duas pessoas morreram e um paciente perdeu a visão.

A Apevisa pede a população que fique atenta aos seguintes sinais: 

- verificar se a bebida possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA);
- rótulo completo;
- lacre adequado;
- comprar apenas em locais confiáveis.

Também é preciso redobrar a atenção com drinques prontos e evitar produtos sem procedência ou com preços muito abaixo do mercado.

Contatos para denunciar

Pernambuco conta com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-PE), que funciona 24 horas para orientar consumidores e profissionais de saúde, pelo número 0800 722 6001. Denúncias também podem ser feitas à Ouvidoria da SES-PE (136 / ouvidoria@saude.pe.gov.br), ao Procon-PE (0800 282 1512 / (81) 3181-7000 / denuncia@procon.pe.gov.br) e à Delegacia de Crimes contra o Consumidor – Decon (81 3184-3835 / dp.consumidor@policiacivil.pe.gov.br).

Sintomas da intoxicação

Os sintomas iniciais de intoxicação podem ser confundidos com os da ingestão de álcool comum — como náuseas, vômitos, dor abdominal e sonolência. Porém, entre 6h e 24h após o consumo, podem surgir sinais mais graves, como visão turva, fotofobia, cegueira, convulsões e até coma.

A Apevisa recomenda que os serviços de saúde notifiquem imediatamente todos os casos suspeitos ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e ao Cievs/PE. Também orienta a busca ativa de pessoas que possam ter consumido bebidas da mesma origem, além da capacitação das equipes de saúde para o manejo clínico adequado, incluindo uso de antídotos específicos e hemodiálise nos casos graves.

Na área de vigilância sanitária, a orientação é intensificar a fiscalização em estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas, coletar amostras suspeitas para análise laboratorial, interditar preventivamente lotes e articular ações conjuntas com Procon, Ministério Público e forças de segurança.

A investigação

Segundo o comunicado emitido nesta terça-feira (30) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), a Apevisa foi notificada sobre os casos no fim da tarde. Todas as vítimas são do Agreste: dois homens do município de Lajedo e um de João Alfredo. Eles foram atendidos no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Nas próximas horas, a SES-PE deve emitir orientações tanto para a população como para as vigilâncias sanitárias municipais, que são responsáveis pelas fiscalizações.

Não há informações se os casos notificados em Pernambuco estão associados aos que já foram registrados em São Paulo, onde sete registros de intoxicação por metanol foram confirmados e ao menos outros 10 seguem sob investigação. Até a última atualização desta reportagem, cinco pessoas morreram.

Antes da notificação dos casos em Pernambuco, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, já havia determinado que a Polícia Federal (PF) abrisse inquérito para investigar os casos de intoxicação por metanol. Além disso, Lewandowski definiu que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) conduza apuração administrativa diante do risco sanitário coletivo relacionado à adulteração de bebidas alcoólicas.

A apuração da PF terá como foco a provável circulação de produtos adulterados em mais de uma unidade da Federação. “Trata-se de uma ocorrência grave, com reflexos na saúde pública. O inquérito policial permitirá verificar a procedência da droga e a possível rede de distribuição. No momento, as ocorrências estão concentradas em São Paulo, mas tudo indica que é uma ocorrência que transcende os limites do estado”, explicou Lewandowski.

Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, determinou que os profissionais de saúde de todo o Brasil notifiquem imediatamente ao Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) qualquer suspeita de intoxicação por metanol. A medida busca reforçar a vigilância e a resposta a casos suspeitos. O ministro Padilha pediu para que os gestores de saúde municipal e estaduais reforcem com os profissionais o protocolo de notificação de caso suspeito de intoxicação exógena, disponível no Guia de Vigilância em Saúde.