BNDES e Ministério das Cidades divulgam projetos para ampliar a mobilidade urbana no Grande Recife
Investimento estimado até 2054 é de R$ 14,8 bilhões
Foto: Marcos Serra Lima/G1
O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério das Cidades, concluiu a etapa de definição dos projetos que irão expandir as redes de transporte público coletivo de média e alta capacidade (TPC-MAC) nas regiões metropolitanas do país, incluindo o Grande Recife.
Na capital pernambucana, o plano prevê a modernização completa do metrô, que conta com 38 quilômetros de extensão, além do desenvolvimento de novos sistemas de transporte, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o Bus Rapid Transit (BRT), totalizando 118 quilômetros de vias. A escolha final entre as duas tecnologias será feita em fases posteriores, a partir de estudos técnicos detalhados. O investimento estimado para os projetos locais pode chegar a R$ 14,8 bilhões.
Com a implantação dessas melhorias, o Recife deve registrar uma redução significativa no tempo médio de deslocamento, o que representará um impacto econômico estimado em R$ 7,4 bilhões.
Em nível nacional, o ENMU projeta investimentos de aproximadamente R$ 430 bilhões, distribuídos da seguinte forma: R$ 230 bilhões em metrôs, R$ 31 bilhões em trens, até R$ 105 bilhões em VLTs, R$ 80 bilhões em sistemas BRT e R$ 3,4 bilhões em corredores exclusivos de ônibus. O ritmo de execução desses investimentos dependerá do modelo de financiamento a ser adotado — com destaque para parcerias e concessões à iniciativa privada.
De acordo com as estimativas do estudo, a implementação integral dos projetos poderá evitar cerca de 8 mil mortes em acidentes de trânsito até 2054 nas 21 regiões metropolitanas contempladas, além de reduzir a emissão anual de 3,1 milhões de toneladas de CO₂. Esse volume de redução equivale à absorção de carbono de uma área de floresta amazônica de 6.200 km², aproximadamente cinco vezes o tamanho do município do Rio de Janeiro.
Entre os principais benefícios estão a diminuição de cerca de 10% nos custos de mobilidade urbana, devido a sistemas mais eficientes, e o aumento do acesso a empregos, escolas, hospitais e áreas de lazer. O impacto econômico total, considerando a redução do tempo de deslocamento nas cidades, é estimado em mais de R$ 200 bilhões.
O estudo abrange as regiões metropolitanas de Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Santos, Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Goiânia, Distrito Federal, Salvador, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Teresina, São Luís, Fortaleza, Belém e Manaus.
No caso específico do Recife, os projetos do ENMU poderão evitar aproximadamente 240 mortes no trânsito até 2054 e reduzir em cerca de 116,2 mil toneladas as emissões de CO₂ por ano. Outro ganho esperado é a queda de 9% no custo operacional por viagem, resultado do uso ampliado de modais de maior capacidade e eficiência.