Caso Esther: DNA em quarto leva polícia a indiciar suspeito por homicídio cruel
Delegada afirma que material genético encontrado na casa de Fernando Brito é “prova cabal” do crime; motivação ainda não foi esclarecida
Foto: Acervo Pessoal
A Polícia Civil de Pernambuco detalhou como chegou ao indiciamento de Fernando Brito, de 31 anos, pelo assassinato da menina Esther Isabelly Pereira, de 4 anos, encontrada morta dentro de uma cacimba em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, em outubro de 2025. De acordo com a corporação, o DNA da criança foi identificado na parede e no piso do quarto de Fernando, elemento considerado decisivo para apontá-lo como autor do homicídio e da ocultação de cadáver.
Segundo a delegada Juliana Bernat, responsável pelo inquérito, o material genético encontrado na residência, localizada próxima à casa da família da vítima, no bairro do Pixete, é a “prova cabal” da participação dele no crime. A polícia descartou que Esther tenha sofrido violência sexual e também rejeitou a hipótese de que o assassinato estivesse ligado a um suposto ritual religioso, tese levantada durante as primeiras fases da investigação. A motivação, no entanto, permanece indefinida, embora os delegados tenham destacado o histórico de agressividade de Fernando, especialmente quando consumia drogas e álcool.
Além dele, Uílma Ferreira, de 33 anos, ex-companheira do suspeito, foi indiciada por ocultação de cadáver. A investigação aponta que ela entrou no quarto logo após o crime, participou da limpeza do local e chegou a se desfazer de móveis pertencentes a Fernando. Para a polícia, essas atitudes reforçam seu envolvimento na tentativa de encobrir o ocorrido. Já Fabiano Lima, de 27 anos, que também chegou a ser preso, não foi indiciado por falta de comprovação de dolo na ocultação. Ele afirmou ter ajudado na limpeza sem saber que o local era cena de um homicídio, versão considerada coerente pela delegada.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a fuga repentina de Fernando logo após o crime. Segundo depoimentos, ele resistia há meses a sair da casa onde morava, mas deixou o local imediatamente após a morte da criança. A polícia acredita que ele utilizou um “instrumento contundente” para matar Esther, mas a perícia não conseguiu identificar o objeto devido à degradação da cena do crime após manifestações populares. Agora, com o indiciamento concluído, a delegada afirma que Fernando “terá que cooperar” e explicar o que motivou o assassinato.