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Educação

Estudantes em Movimento: alunos assumem protagonismo e transformam escolas em espaços de cidadania

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Por: Maria Luna

Jovens do Erem Alberto Torres, no Recife, e da Escola Tomé Francisco da Silva, em Quixaba, contam sobre a participação ativa nas decisões que impactam a comunidade escolar

29/08/2025
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Jovens do Erem Alberto Torres, no Recife, e da Escola Tomé Francisco da Silva, em Quixaba, contam sobre a participação ativa nas decisões que impactam a comunidade escolar

Foto: Divulgação - Escola de Referência em Ensino Médio Alberto Torres, em Tejipió, RMR/Divulgação

Além da aprendizagem formal, as salas de aula funcionam como uma espécie de laboratório de experiências democráticas, onde o estudante pode aprender sobre como suas ações influenciam a coletividade. É nesse espaço também que os jovens descobrem formas de contribuir com a construção de políticas públicas mais justas e que atendam a sua comunidade. 

Essa, inclusive, é a premissa do programa ‘Estudantes em Movimento’, coordenado pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci) em parceria com as controladorias-gerais dos estados e secretarias de educação, que vem ensinando de forma prática a alunos de escolas públicas de Pernambuco como as decisões políticas e administrativas estão presentes no cotidiano escolar. 
 

Biblioteca da Escola de Referência em Ensino Médio Alberto Torres, no Bairro de Tejipió, no Recife/Divulgação

Victor Gabriel, de 17 anos, é aluno do 3° ano da Escola de Referência em Ensino Médio Alberto Torres, no Bairro de Tejipió, no Recife. Para ele, o principal aprendizado durante o programa foi entender sobre a importância de uma gestão transparente dos recursos públicos. Ele revela que, durante o projeto, sua percepção sobre política e o papel do governo na sociedade também mudaram. “Você, por exemplo, está precisando comprar algo, você tem que fazer uma licitação, tem que mandar para a secretaria [de educação] explicando tudo como vai ser feito. E a gente sabe que educação é o motor de uma sociedade. Então, quando a gente vê como os recursos públicos são geridos, e na educação, que para mim é a área mais importante, porque vai moldando a sociedade do futuro, a gente passa a ver o governo menos como objeto de descrença, e sim como nós precisamos mudar a sociedade, nós precisamos entrar lá para ajudar a mudar. Porque se for olhando só com descrença, com desconfiança, os mesmos que estão lá vão se perpetuar por muitos, muitos e muitos mais anos”, argumenta.
 

Computadores na biblioteca da Escola de Referência em Ensino Médio Alberto Torres, no Bairro de Tejipió, no Recife/Divulgação

Segundo o jovem, a partir do momento em que os estudantes se envolvem nas atividades administrativas da escola, eles se tornam a principal mudança naquele ambiente. Ele ressalta ainda a importância de um pensamento crítico quando se trata da gestão pública. “Como diz o escritor Manuel Bandeira, a gente não pode simplesmente ouvir um problema e ir embora para Pasárgada. Pasárgada sendo um lugar utópico, sem problemas, etc. Não, nós precisamos manter a nossa realidade, precisamos ser críticos e precisamos agir para mudar. A gente não pode simplesmente criticar, criticar, criticar e não propor mudanças. Nós não podemos ser atores só do futuro, precisamos ser atores do presente. Esse projeto é importante por isso, porque ele nos capacita para isso. Ativa um senso crítico que, para o presente, ele é crucial. Porque pensando no futuro, a gente só faz postergar só que os problemas do nosso país continuam, os problemas do nosso país são estruturais. Então a gente só muda problemas estruturais com mudanças que mudam a estrutura do poder. Nós como jovens, quando nós temos uma experiência dessa, nós passamos a perceber que nós temos que estar lá também. Precisamos ser ativos, precisamos ser jovens críticos, que a mudança começa por nós”.
 

Alunos da Escola Estadual Tomé Francisco, em Lagoa da Cruz, Quixaba/Divulgação

A estudante Lilian Gabrielly, de 16 anos, está no 3° ano da Escola Estadual Tomé Francisco, em Lagoa da Cruz, no município de Quixaba, Sertão de Pernambuco. Para ela, um dos principais aprendizados durante o programa foi presenciar o trabalho em conjunto entre a comunidade escolar e a população da cidade, pois, foi a partir dessa união, que o problema com a falta de água nos banheiros da instituição pode ser solucionado. Ela conta que estar no lugar de tomada de decisões a fez observar a gestão de outra forma. “Pra mim foi digamos que uma virada de chave. A gente nunca vê como é a situação de outra forma. Nós vemos do nosso jeito e eu estava na minha visão de estudante. Então, passar para esse outro lado foi um aprendizado porque eu entendi como é que funciona a organização de acordo com a gestão, com a coordenação, e fez com que eu entendesse melhor como lidar com os problemas que a escola enfrenta e também pensar em soluções para ajudar”

Alunos da Escola Estadual Tomé Francisco, em Lagoa da Cruz, Quixaba/Divulgação



Para Jhonnata Nicassio, de 17 anos, que também é aluno do 3° ano da Escola Estadual Tomé Francisco, em Quixaba, a experiência adquirida durante o programa servirá para ajudar a comunidade em que reside com a criação de projetos que possam melhorar a qualidade de vida. O estudante  destaca ainda que o programa despertou um olhar mais atento sobre o funcionamento escolar. “Foi um programa muito importante para a gente entender mais como funciona a escola e todas as questões da escola também em si, porque quando houve a auditoria a gente conseguiu ficar por dentro de praticamente tudo que acontece dentro da escola. Então, quando você é estudante, quanto mais a par você estiver, no lugar que você estuda mesmo, mais interessado você vai ficar também para estudar. Ou seja, não só estudar, mas também participar desses projetos”

Programas como o ‘Estudantes em Movimento’ são a prova de que a educação pode ir muito além da sala de aula. Nesta série de reportagens, percebemos que a atuação de professores, gestores, estudantes e comunidade, fortalece o ecossistema de ensino por meio do aprendizado da cidadania. Enquanto existir o diálogo entre esses atores e houver transparência nos processos de gestão, as escolas se tornam espaços mais democráticos e inclusivos, tendo a juventude como principais protagonistas e cidadãs, de fato, dos lugares onde elas vivem.

Com edição de Daniele Monteiro e sonorização de Lucas Barbosa, reportagem Maria Luna