Estudo do Hospital das Clínicas mostra eficácia de curativo pós-cirúrgico à base de cana-de-açúcar
A pesquisa científica, orientada pelo professor Estradas Marques, foi publicada em revista internacional
Foto: Reprodução/Pixabay
Um estudo desenvolvido pelo Hospital das Clínicas (HC), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), comprova a eficácia do curativo pós-cirúrgico produzido à base de cana-de-açúcar. A pesquisa foi realizada com 55 pacientes da Área Assistencial de Angiologia e Cirurgia Vascular do HC que foram submetidos à cirurgia de varizes, e os resultados estão publicados na revista científica Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders (JVS-VL).
O orientador do estudo foi o professor do Centro de Ciências Médicas (CCM) da UFPE, Edras Marques, que explicou o novo produto e como a pesquisa foi aplicada. “O estudo apresentou um curativo biológico (sustentável) para ser usado nas feridas pós-operatórias do tratamento das varizes das pernas. Tem um menor custo financeiro e foi tão eficaz na cicatrização das feridas quanto o curativo tradicional, que é de material sintético (a fita microporosa). Mas por ser biológico, causa menos coceira. A retirada desse curativo também se mostrou mais fácil e com menos dor”, declarou.

Os 55 pacientes submetidos à cirurgia de varizes e que participaram do ensaio clínico randomizado foram divididos em dois grupos: o experimental, que utilizou o filme de celulose bacteriana para cobrir as microincisões; e o grupo controle, com a fita microporosa tradicional. Entre o quarto e o sexto dia de pós-operatório, os pacientes foram avaliados quanto à dor, ao prurido e ao aspecto da ferida. Os estudantes também levaram em conta que os grupos fossem homogêneos em todos os dados demográficos, presença de comorbidades e Classificação Clínica Ceap, que diferencia a gravidade das doenças venosas crônicas.
Orientados pelo professor Esdras Marques, a pesquisa foi conduzida pelo cirurgião vascular e doutorando Allan Maia, com participação da então graduanda em Medicina da UFPE, Mariana Vieira, via bolsa de iniciação científica do PIC-Ebserh. Também houve suporte do Núcleo de Apoio ao Pesquisador (NAP) do HC e da empresa Polisa, que produz o biopolímero à base de cana-de-açúcar. O artigo ainda contou com a assinatura de Fernanda Rocha, Layla Mahnke, Flávia Morone Pinto, Tiago Pereira, Mariana Neves, Sarah Palácio, Katharine Saraiva, Josiane Barbosa, Simone Penello, Jaiurte Silva e José Lamartine Aguiar.