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Família de menino declarado morto por hospital no Recife revela que ele permaneceu vivo por horas, sem atendimento


Por: REDAÇÃO Portal

Miguel tinha 3 anos de idade e possuía paralisia cerebral

04/12/2025
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Miguel tinha 3 anos de idade e possuía paralisia cerebral

Foto: Reprodução/Mídias Sociais

Uma mãe denunciou que seu filho, um menino de 3 anos com paralisia cerebral, foi declarado morto e permaneceu cerca de cinco horas sem qualquer assistência em um hospital particular do Recife. De acordo com a dona de casa Laís Lima, o pequeno Miguel foi levado à unidade de saúde na tarde da última segunda-feira apresentando palidez e dificuldades para respirar. Ainda naquele dia, a equipe médica informou que ele havia falecido.

Miguel se alimentava por meio de uma sonda abdominal devido à paralisia cerebral e, embora conseguisse respirar sem aparelhos, utilizava traqueostomia. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil. Segundo o relato da mãe, o hospital afirmou que o menino chegou em parada cardiorrespiratória e passou por tentativas de reanimação, mas não teria respondido ao procedimento.

No entanto, passadas cinco horas da declaração de óbito — período em que já haviam retirado a sonda e a traqueostomia e iniciado a preparação do corpo — a equipe decidiu levá-lo para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Lá, ele permaneceu por mais oito horas até, de fato, falecer.

A morte ocorreu no Hospital Infantil Mandacaru, localizado no bairro do Torreão, na Zona Norte do Recife, pertencente à rede Hapvida. Por meio de nota, a empresa lamentou o ocorrido e afirmou que o paciente recebeu atendimento imediato e acompanhamento constante das equipes de plantão. A mãe relatou que Miguel já havia sido atendido no domingo devido à febre e dificuldades respiratórias. Na ocasião, realizou exames, foi medicado e liberado. Em casa, ele recebia cuidados de um serviço de “home care” disponibilizado pelo plano, com equipamentos de suporte respiratório e acompanhamento de uma fisioterapeuta.

Na segunda-feira, diante do agravamento do quadro, a profissional colocou o menino em suporte respiratório pela traqueostomia e orientou que a família retornasse ao hospital caso não houvesse melhora. Após serem informados da suposta morte, os pais foram reconhecer o corpo e, segundo a mãe, perceberam que Miguel apresentava espasmos, implicando em inspirações breves e involuntárias. Laís contou que esses movimentos persistiram por aproximadamente cinco horas e que, nesse período, o filho não apresentou sinais clássicos de morte, como palidez extrema, lábios arroxeados ou resfriamento corporal. Mesmo assim, o processo de preparação continuou. A família chegou a filmar os espasmos, quando o menino já estava envolvido em TNT e com algodões nos ouvidos.

Ainda segundo a mãe, ao ser levado para a UTI, Miguel continuou vivo até a madrugada seguinte — cerca de 14 horas após ter sido declarado morto. O óbito foi confirmado às 4h18 da madrugada de terça-feira. A família também questiona o fato de que, segundo o relato da mãe, o hospital pretendia transportar o corpo em uma ambulância para o Serviço de Verificação de Óbito, embora esse deslocamento, quando necessário, deva ser feito pelo próprio serviço ou por funerárias contratadas.

Na quarta-feira, familiares foram à Delegacia do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, para registrar boletim de ocorrência. A Polícia Civil informou que abriu um inquérito para investigar o caso e que novos detalhes só serão divulgados após a conclusão das apurações.

Em nota, a Hapvida afirmou lamentar profundamente a morte de Miguel, prestou solidariedade à família e reiterou que o menino recebeu todas as intervenções necessárias diante da gravidade do quadro clínico.