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Família de recém-nascido morto com infecção denuncia negligência de hospital no Recife


Por: REDAÇÃO Portal

O Cisam afirma que as condutas médicas adotadas seguiram os protocolos recomendados

29/09/2025
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O Cisam afirma que as condutas médicas adotadas seguiram os protocolos recomendados

Foto: Reprodução/TV Globo

A família de um bebê que morreu com uma infecção no Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no bairro da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife, denuncia o hospital por negligência médica. Kauã Henrique Ramos da Silva nasceu em 13 de setembro e morreu no último dia 20, aos sete dias de vida. No momento do parto, a criança sofreu uma fratura no braço direito, e segundo a família, o quadro de saúde se agravou ao longo da internação no Cisam, levando o bebê à morte por choque séptico - provocado pela reação extrema do organismo a uma infecção.

A mãe da criança, Karolayne Urbano da Silva, de 17 anos, relatou ao g1 que deu entrada no hospital em 13 de setembro, por encaminhamento do Hospital Alzira Figueiredo Andrade de Oliveira, em Itamaracá, no Grande Recife. Após cerca de duas horas de trabalho de parto, apenas a cabeça da criança saiu, ficando presa por aproximadamente 20 minutos. Ela chegou a desmaiar durante o procedimento. Ainda segundo Karolayne, o médico responsável pelo parto precisou fazer uma manobra para puxar o bebê, que nasceu sem chorar e precisando de oxigênio.

Os exames confirmaram a fratura no braço direito de Kauã Henrique. Do Cisam, a criança foi encaminhada para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, na região Central do Recife, onde passou por avaliação ortopédica e teve o membro imobilizado. Ao retornar ao Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), o bebê passou dois dias internado na UTI, e depois, foi transferido para a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI). Kauã precisou ser intubado novamente após vomitar o leite materno e expelir uma substância com manchas escuras. Segundo Karolayne, o filho foi submetido a várias punções para coleta de sangue, mas as explicações sobre os exames por parte da equipe médica eram escassas. 

Em 19 de setembro, o bebê passou por duas paradas cardiorrespiratórias. Um dia depois, com sinais de estabilidade, a mãe da criança chegou a assinar uma autorização para transfusão de sangue, mas a morte de Kauã foi informada horas depois pelo Cisam após mais uma parada cardiorrespiratória.

O que diz o hospital

Por meio de nota, o Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) confirmou que o nascimento de Kauã Henrique foi marcado por um “período expulsivo prolongado, resultando em distócia de ombros”. A unidade pontuou que o recém-nascido evoluiu inicialmente bem, mas, após ser transferido para a UCI, apresentou vômitos e distensão abdominal. O quadro se agravou e tornou necessário o uso de antibióticos, intubação e suporte avançado.

O Cisam ainda afirmou que todas as condutas médicas adotadas seguiram os protocolos recomendados e que a evolução clínica do bebê foi acompanhada de perto por equipe multidisciplinar. “Apesar do desfecho trágico, as intervenções realizadas estavam em linha com as melhores práticas e diretrizes clínicas”, finaliza o hospital.

Investigação

O pai de Kauã Henrique, Alejandro Ramos da Cunha, registrou um boletim de ocorrência. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), o caso foi registrado como “morte a esclarecer” e será investigado pela Delegacia de Crimes Contra Crianças e Adolescentes (DPCA).