Hepatologista da UPE explica câncer agressivo descoberto em fígado transplantado em SP
Cláudio Lacerda, Cirurgião do Hospital Oswaldo Cruz (HUOC/UPE), reforça que registros como esse são raros
Foto: Márcia Helena Vaz/CBN
Com informações de Klauson Dutra, da CBN São Paulo
Um transplante de fígado contaminado por um câncer agressivo, em São Paulo, acendeu um alerta sobre esse tipo de ocorrência, considerada rara. O aposentado Geraldo Vaz, de 58 anos, recebeu um fígado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em julho de 2023, no Hospital Albert Einstein, na capital paulista - 13 anos após ter sido diagnosticado com hepatite C e desenvolvido cirrose.
À época, a operação foi considerada bem-sucedida, mas exames de rotina realizados oito meses depois revelaram seis nódulos no novo fígado. Uma biópsia confirmou a presença de adenocarcinoma, tipo de tumor maligno nas células glandulares que revestem o órgão. Para a CBN São Paulo, Geraldo Vaz relatou que o câncer teve metástase no pulmão, e hoje, a família pressiona as autoridades para saber como o transplante ocorreu.
"Isso é devastador. Só de falar com você, já fico emocionado. Tem vez que eu me pego chorando. Mas eu não posso falar que é um erro, enquanto eles não investigarem e poderem falar se isso foi um erro mesmo ou não", afirmou.
Caso raro
À CBN Recife, o hepatologista e cirurgião do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC/UPE), Cláudio Lacerda, reforçou que registros como o de Geraldo Vaz são raríssimos.
"Nós temos mais de 1.850 transplantes realizados ao longo de 26 anos de atividades aqui no Recife, e nunca tivemos um caso como esse. Há situações em que o paciente tem uma reincidência do tumor, mas no caso desse paciente, ele recebeu um fígado que tinha um tumor indetectável, provavelmente microscópico, com metástase no fígado. E sem saber, o transplante foi feito seguindo todos os protocolos. Alguns meses depois, com a imunossupressão, esses tumores explodiram, começaram a crescer muito rapidamente e uma biópsia revelou que se tratava de um adenocacinoma", pontuou.

Dr. Cláudio Lacerda - Arquivo Pessoal
O hepatologista ainda disse acreditar que, apesar de ser um caso de impacto, não deve causar qualquer tipo de recusa na população quanto à importância do transplante de órgãos. "Isso é uma coisa raríssima de acontecer e o benefício dos transplantes de órgãos é cada vez maior. São muitas pessoas milhares de pessoas que se beneficiam e recuperam plenamente sua saúde, com diferentes formas de transplante", declarou.
De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o Brasil bateu recorde histórico de transplantes realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024. Foram mais de 30 mil procedimentos, representando um crescimento de 18% em relação a 2022. Sobre o caso de Geraldo Vaz, o Ministério da Saúde informou que todos os protocolos e normas internacionais foram seguidos. Segundo a pasta, não houve indícios de câncer nos exames realizados no doador antes da cirurgia.
Reportagem - Lucas Arruda