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IBGE revela síntese de indicadores sociais 2025; nível de ocupação em Pernambuco atinge 49,9%


Por: REDAÇÃO Portal

Distribuição dos rendimentos segue bastante concentrada no estado; entenda

04/12/2025
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Distribuição dos rendimentos segue bastante concentrada no estado; entenda

Foto: Reprodução/TV Globo

Os indicadores estruturais referentes ao mercado de trabalho em Pernambuco, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Síntese dos Indicadores Sociais, mostram que a população em idade ativa chegou a 7.667,3 mil pessoas, um aumento em comparação às 7.581,7 mil registradas em 2023. Dentro desse grupo, a força de trabalho foi estimada em 4.292,9 mil pessoas, o que corresponde a uma taxa de participação de 56,0%, acima dos 54,5% alcançados no ano anterior.

A população ocupada atingiu 3.825,5 mil pessoas, elevando o nível de ocupação para 49,9%, valor superior aos 47,2% observados em 2023. Esse resultado aponta para uma recuperação do emprego, embora ainda não supere o índice de 2012 — início da série histórica da PNAD Contínua — quando o indicador era de 50,4%. Dentro dos ocupados, 1.768,5 mil estavam empregados em postos formais, mantendo a taxa de formalização em 46,2%, igual à de 2023, porém abaixo da de 2012 (47,6%). A estabilidade do percentual de formalização, mesmo com o aumento no número de trabalhadores, evidencia que parte desse crescimento vem de atividades informais.

A população desocupada foi estimada em 467,4 mil pessoas, resultando em uma taxa de desemprego de 10,9%. O número representa queda significativa frente aos 13,5% do ano anterior, embora ainda não alcance o nível de 2012, quando o indicador ficou em 9,3%.

Em relação aos rendimentos, o salário médio real habitual do trabalho principal subiu para R$ 2.304 mensais, acima dos R$ 1.967 registrados em 2023. Esse aumento sugere valorização da renda do trabalho, possivelmente influenciada por reajustes do salário mínimo e pelo crescimento da economia. Considerando todos os trabalhos, o rendimento médio mensal chegou a R$ 2.407, também superior aos R$ 2.015 do ano anterior.

O rendimento-hora médio real habitual ficou em R$ 14,9 em 2024, ante R$ 12,6 em 2023. Houve avanço de 17% no rendimento médio do trabalho principal e porcentagem semelhante para o total de trabalhos, além de um aumento de cerca de 18,4% no rendimento por hora. Esses movimentos contrastam com a relativa estabilidade dos rendimentos entre 2012 e 2023. Comparando com 2012, verifica-se que os rendimentos atuais superam apenas levemente os daquele ano (R$ 2.285 no trabalho principal e R$ 2.350 considerando todos os trabalhos), o que indica perda gradual de poder de compra ao longo do tempo.

A distribuição dos rendimentos segue bastante concentrada no estado. Três métricas ajudam a entender essa desigualdade: o Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, o mesmo indicador desconsiderando benefícios sociais e o Índice de Palma.

Em 2024, o Gini com benefícios ficou em 0,530; sem benefícios, foi a 0,612; e o Palma alcançou 3,84. O Gini varia de 0 a 1 e mede o grau de desigualdade — quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda. A diferença entre o Gini com e sem benefícios evidencia a importância das transferências sociais na redução das desigualdades. Já o Palma compara a renda dos 10% mais ricos com a dos 40% mais pobres; um valor de 3,84 indica que os mais ricos recebem quase quatro vezes mais que os mais pobres.

Os três indicadores aumentaram entre 2023 e 2024: o Gini com benefícios passou de 0,495 para 0,530 (alta de 7,1%), o Gini sem benefícios subiu de 0,579 para 0,612 (5,6%) e o Palma avançou de 3,17 para 3,84 (21%). Isso revela uma intensificação da desigualdade de renda, tanto considerando quanto desconsiderando os programas sociais. O aumento mais forte do Gini sem benefícios ressalta o papel redistributivo das transferências governamentais. O crescimento do Índice de Palma reforça o cenário de maior concentração entre os mais ricos.

Comparando com 2012, o Gini com benefícios era 0,574 — acima do valor de 2024 —, reflexo de alguma redução da desigualdade nesse intervalo, ainda que tenha ocorrido piora recente. Já o Gini sem benefícios estava em 0,608, muito próximo ao valor atual, indicando que a desigualdade de mercado permanece praticamente inalterada ao longo da série. O Palma, por sua vez, era ainda mais elevado em 2012 (4,91).

Quando se analisa os rendimentos médios e medianos, a disparidade torna-se evidente. Enquanto o rendimento médio geral foi de R$ 1.407, a mediana ficou em R$ 829, mostrando alta concentração de ganhos em uma parcela pequena da população. Homens tiveram rendimento médio de R$ 1.444 e mediana de R$ 850, enquanto mulheres registraram média de R$ 1.374 e mediana de R$ 814.

As diferenças por cor ou raça são ainda mais acentuadas: pessoas brancas apresentaram rendimento médio de R$ 1.872 e mediana de R$ 1.020, valores superiores aos de pardos (média de R$ 1.170 e mediana de R$ 728) e pretos (média de R$ 1.195 e mediana de R$ 852). Ao agrupar pretos e pardos, a média ficou em R$ 1.174 e a mediana em R$ 748, evidenciando a persistência da desigualdade racial.

A maioria da população permanece concentrada nas faixas de menor rendimento domiciliar per capita: 30,5% encontram-se entre meio e um salário mínimo; 26,6%, entre um quarto e meio; e 14,9%, até um quarto de salário mínimo. Essas três faixas abrangem cerca de 72% da população do estado. Apenas 1,2% não possui rendimento algum.

Nas faixas mais altas, a participação é bem menor: 17,3% ganham de um a dois salários mínimos; 4,3% recebem entre dois e três; 3,0%, entre três e cinco; e 2,2% ganham mais de cinco salários mínimos. Comparando com 2023, houve redução nas faixas mais baixas e aumento nas intermediárias, sugerindo uma leve melhora na distribuição entre os níveis mais baixos, apesar da intensificação da desigualdade medida por Gini e Palma.

A escolaridade também influencia fortemente o quadro socioeconômico do estado. Entre jovens de 18 a 29 anos, a média de anos de estudo foi de 11,4, e 70,6% haviam concluído pelo menos 12 anos de estudo, indicando que sete em cada dez finalizaram o ensino médio ou equivalente. Porém, o fato de a média ser inferior a 12 anos revela que uma parcela significativa ainda não concluiu essa etapa, possivelmente por evasão escolar, defasagem idade-série ou entrada precoce no mercado de trabalho.

Em comparação com 2023, houve leve queda — naquele ano, a média era de 11,5 anos e 71,2% haviam concluído 12 anos de estudo. Já em relação a 2016, percebe-se um avanço maior: a média subiu de 10,5 para 11,4 anos, e a proporção de jovens com 12 anos de estudo passou de 58,4% para 70,6%.

A Síntese de Indicadores Sociais: Uma análise das condições de vida da população brasileira 2025 reúne dados essenciais para compreender a realidade social do país, organizados em três grandes eixos: Estrutura econômica e mercado de trabalho; Padrão de vida e distribuição de rendimentos; e Educação.