MPPE denuncia dois suspeitos de invadir sistemas para comercializar dados sigilosos em Olinda
Dupla é acusada de integrar organização criminosa e envolvimento no Caso Felca
Foto: Reprodução/PCSP
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apresentou denúncia contra dois homens presos durante a operação que apura ataques ao youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, acusados de invadir sistemas para comercializar dados sigilosos.
Os denunciados são Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, 22 anos, já investigado por diversos crimes virtuais, e Paulo Vinicius de Oliveira Barbosa, 21 anos, que não tinha antecedentes e nega as acusações. Ambos foram detidos em Olinda, no Grande Recife, no dia 25 de agosto.
Segundo a promotora Isabel de Lizandra Penha Alves, o MPPE afirma que, no momento da prisão, eles acessaram de forma irregular a plataforma “Polícia Ágil”, de uso restrito da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. De acordo com a denúncia, o login havia sido adquirido ilegalmente por R$ 300 via Telegram.
Durante os depoimentos, Cayo Lucas admitiu ser o hacker conhecido como “f4llen” e revelou um esquema de invasão e venda de acessos a sistemas governamentais, que seria sua principal fonte de renda. Ele teria faturado mais de R$ 500 mil com atividades ilícitas, incluindo emissão de documentos falsos, como mandados de prisão fraudulentos que eram vendidos por até R$ 15 mil. Para movimentar os valores, utilizava contas de terceiros e investimentos em criptomoedas.
Paulo Vinicius, por sua vez, é acusado de realizar consultas cadastrais e vender as informações por valores entre R$ 20 e R$ 50. Sua defesa nega qualquer envolvimento e afirma que provará sua inocência no decorrer do processo.
As investigações tiveram início em São Paulo, após ameaças de morte e estupro a uma psicóloga que participou de um vídeo do youtuber. Segundo a Polícia Civil paulista, os crimes estão ligados a um grupo chamado “Country”, que atua em delitos virtuais como pedofilia, extorsão, ameaças a autoridades e exploração de crianças e adolescentes. O grupo teria feito cerca de 400 vítimas em todo o país.
Cayo Lucas também é apontado como responsável por invadir sistemas do Judiciário, da Saúde e de forças policiais de pelo menos três estados: Pernambuco, Ceará e São Paulo. Ele nega envolvimento nos ataques a Felca e com a organização criminosa.
A defesa de Cayo Lucas não foi localizada. Já o advogado de Paulo Vinicius, Rafael Timotio, declarou que seu cliente “é pessoa de conduta ilibada, jamais participou de práticas ilícitas e demonstrará sua inocência durante a instrução criminal”.