Nordeste apresenta maior redução de insegurança alimentar grave no Brasil
Nos últimos três meses de 2024, todas as regiões do Brasil tiveram diminuição de lares em situação de fome
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), aplicada na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Contínua (PNADc) pelo IBGE , mostra que nos últimos três meses de 2024, todas as regiões do Brasil tiveram diminuição de lares em situação de fome, quando o período é comparado com o mesmo recorte de 2023. No país, o Nordeste teve a maior redução da insegurança alimentar grave (de 6,3% para 4,8%).
A escala é aplicada desde 2004 e mede a situação de segurança alimentar no país em quatro modalidades: segurança alimentar, quando as famílias têm acesso aos alimentos de forma permanente; e insegurança alimentar leve, enquanto existe uma preocupação de conseguir alcançar alimentos num futuro muito próximo; moderada, quando há restrição na quantidade dos alimentos no domicílio; e grave, que configura a privação de alimentos a todas as pessoas na residência, incluindo crianças.
A secretária extraordinária de combate à fome do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Valéria Burity, destaca que, além da redução da insegurança alimentar grave, o Nordeste também teve o maior crescimento de domicílios em segurança alimentar em pontos percentuais. Nos nove estados somados, o aumento foi de 61,1% para 65,2% entre 2023 e 2024.
"Acho que o o governo brasileiro retoma a centralidade do tema, retoma um conjunto de políticas públicas que tão reunidas no Plano Brasil Sem Fome, que garantem acesso à renda, como o programa Bolsa Família, hoje com uma regra de proteção para que as pessoas consigam ainda trabalhar sem perder o benefício por um tempo. A gente também reúne ações de saúde, de assistência social, mas também o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em que o Nordeste é a região com mais municípios aderidos", afirmou a secretária.
O Norte foi a segunda região com maior diminuição da fome, entre 2023 e 2024: de 7,7% para 6,3%. A região é seguida pelo Centro-Oeste (3,6% para 2,8%), pelo Sudeste (2,9% para 2,3%) e pelo Sul (2% para 1,7%). Entre 2023 e 2024, mais de dois milhões de brasileiros saíram do cenário de insegurança alimentar grave. A secretária Valéria Burity lembra que, no momento em que a Ebia foi aplicada, o Brasil enfrentava alta nos preços dos alimentos. Mesmo assim, os resultados foram positivos.
"Quando a gente olha as três modalidades de insegurança alimentar, foram 8,8 milhões de pessoas que saíram dessa situação. A gente espera que os resultados sejam melhores no ano que vem, porque esses foram os fatores que fizeram com que a gente saísse do mapa da fome: controlar o preço dos alimentos e garantir políticas públicas, que foram responsáveis por essa conquista", pontuou.
Reportagem - Lucas Arruda