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Educação

Pesquisa revela que leitura entre recifenses ainda é marcada por barreiras sociais e práticas


Por: REDAÇÃO Portal

Estudo da UNIFAFIRE mostra que escolaridade é determinante para o hábito de ler e que preço dos livros segue como obstáculo para famílias de baixa renda; Bienal do Livro é vista mais como lazer do que como espaço de formação cultural

02/10/2025
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Estudo da UNIFAFIRE mostra que escolaridade é determinante para o hábito de ler e que preço dos livros segue como obstáculo para famílias de baixa renda; Bienal do Livro é vista mais como lazer do que como espaço de formação cultural

Foto: Divulgação/UniFafire

Um levantamento realizado pelo Centro Universitário Frassinetti do Recife (Unifafire), por meio do Núcleo de Inteligência de Mercado, revelou que a escolaridade é fator decisivo no hábito de leitura dos recifenses. O estudo, feito com 801 moradores da Região Metropolitana do Recife entre os dias 12 e 26 de setembro, apontou que quem concluiu ou está cursando o ensino superior mantém a prática da leitura, enquanto a maioria dos que pararam no ensino médio abandona o costume após a vida escolar. Além disso, mais da metade dos entrevistados (57,43%) apontou a falta de tempo como principal barreira, seguida da dificuldade de concentração (18%), reflexo da rotina acelerada e da influência do digital.

Apesar do avanço das tecnologias, o livro físico segue predominante, com mais de 70% dos participantes preferindo o formato impresso — inclusive entre jovens de 18 a 24 anos. No entanto, o preço continua sendo um entrave: 66% da população com até um salário mínimo considera os livros caros, o que limita o acesso cultural. Entre leitores frequentes e com maior poder aquisitivo, o custo é percebido como justo. Esse contraste evidencia uma desigualdade no consumo cultural da população recifense.

A pesquisa também buscou entender as expectativas para a XV Bienal Internacional do Livro, que acontece de 3 a 12 de outubro, no Recife. Segundo os dados, 44,26% dos entrevistados pretendem visitar o evento para “passear e conhecer”, enquanto 29,87% buscam descontos na compra de livros. Mais da metade do público (52%) planeja gastar até R$ 100. Para o professor e pesquisador João Paulo Nogueira, coordenador do estudo, o cenário revela um paradoxo: a leitura ainda não se consolidou como hábito autônomo, mas permanece associada à obrigação escolar ou acadêmica, enquanto a Bienal se configura mais como lazer do que como espaço de formação cultural.