Produção de biometano em Igarassu, na RMR, atenderá indústria local a partir de 2026
A Gás Verde, maior produtora de biometano da América Latina, vai inaugurar sua primeira planta no Nordeste
Foto: Divulgação/Gás Verde
A produção de um combustível renovável que tem se mostrado estratégico para a transição energética no Brasil passará a ser feita diretamente do aterro sanitário Ecoparque Pernambuco, em Igarassu, no Grande Recife, a partir do segundo semestre de 2026. A Gás Verde, maior produtora de biometano da América Latina, vai inaugurar sua primeira planta no Nordeste, com capacidade de produção de 45,6 mil m³/dia do gás.
Com essa produção, a Gás Verde espera atender aos principais polos da indústria em Pernambuco, desde a Região Metropolitana do Recife até o Agreste. Apesar de ser um ativo recente do ponto de vista das soluções ambientais, o biometano conta com uma demanda crescente. No estado, 60% da produção pela Gás Verde já está contratada. E futuramente, as indústrias locais, especialmente as do Porto de Suape focadas na produção de e-metanol, também poderão ter gás carbônico biogênico à disposição - mais um passo para redução das emissões de gases do efeito estufa.

Projeto da planta da Gás Verde em Igarassu (PE)
A diretora de Comunicação da Gás Verde, Daniela Teixiera, explica que a chegada da produção de biometano em Pernambuco descentraliza a produção atual, que está focada nos estados do Sul e do Sudeste. O combustível é produzido a partir de resíduos orgânicos, e por isso é fundamental a localização da planta no Ecoparque de Igarassu, que recebe, por dia, 1,7 mil toneladas de lixo de 30 municípios.
“A gente vai conseguir entregar esse biocombustível para as indústrias de Pernambuco, que é uma alternativa aos combustíveis fósseis. O Brasil tem um potencial gigantesco para a produção de biometano. Você pode produzir a partir de qualquer resíduo orgânico, então, estamos falando do lixo urbano, daquilo que nós produzimos em casa, também dos resíduos da agropecuária. Estima-se que o Brasil possa produzir até 120 milhões de m³ de biometano por dia. Isso seria o equivalente a substituir ou atender a 70% do consumo de diesel do país”, ressaltou Daniela.
No Brasil, a Gás Verde conta com duas plantas de produção de gás biometano em operação: em Seropédica, no Rio de Janeiro, e em São Paulo. Elas atendem a grandes indústrias, como as multinacionais Saint-Gobain, Nestlé e Grupo L'Oréal no Brasil, além da fabricante de bebidas Ambev. Por dia, essas plantas produzem 160 mil m³ de biometano, que pode ser usado tanto em processos produtivos quanto no abastecimento de frotas leves e pesadas. O objetivo é substituir combustíveis fósseis, como diesel, óleo combustível, gás natural, gasolina e GNV, que podem ser trocados pelo biometano sem qualquer tipo de prejuízo.

Planta da Gás Verde em Seropédica (RJ)
Com novas plantas em seis estados, incluindo Pernambuco , a Gás Verde pretende expandir a produção de biometano para 650 mil m³/dia. Um impacto direto na descarbonização da indústria brasileira, contribuindo para que o país alcance a meta estabelecida na COP30 de quadruplicar a produção de biocombustível até 2035 - além dos pontos previstos na regulamentação da Lei do Combustível do Futuro. Atualmente, o Brasil tem capacidade instalada para produção de 1 milhão m³/dia de biometano.
“O biometano ajuda as empresas a baterem as suas metas de redução de emissão. O que estamos vendo das empresas, além do compromisso ambiental, é uma demanda do mercado consumidor. Ele está mais consciente, fazendo escolhas por empresas que tenham uma preocupação que não fique só discurso. Empresas que consigam, de fato, operar no dia a dia com o menor impacto possível ao meio-ambiente”, pontua Daniela Teixeira, diretora de Comunicação da Gás Verde.
Investimento
Na planta de Igarassu, o projeto da Gás Verde recebe financiamento de R$ 90,2 milhões pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sendo R$ 72,2 milhões do Fundo do Clima.
Reportagem - Lucas Arruda, à convite da Gás Verde