Psicólogo denunciado por abusos sexuais em Arcoverde tem liberdade concedida pela Justiça
Higor Vicente, de 28 anos, oferecia cura espiritual por meio do chamado “sexo divino”
Foto: Reprodução/Redes sociais
A 1ª Vara Criminal de Arcoverde, no Sertão, concedeu liberdade ao psicólogo acusado de cometer abusos sexuais e psicológicos contra pacientes, sob o pretexto de oferecer cura espiritual por "sexo divino". Higor Vicente Tenório Ribeiro, de 28 anos, utilizava perfis falsos em redes sociais, nos quais se passava por "sensitivo" e especialista em tarô, segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
O MPPE chegou a entrar com recurso para o restabelecimento da prisão preventiva de Higor Vicente ou conversão em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, alegando garantia da ordem pública e da preservação das provas. No entanto, o desembargador Evanildo Coelho de Araújo Filho, relator substituto do caso, indeferiu a liminar por considerar que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) não trouxe novos elementos que indicassem perigo concreto na revogação da prisão provisória do acusado.
"O Ministério Público limita-se a reiterar argumentação já submetida ao Juízo de origem e devidamente valorada, sem trazer notícia de eventual violação às cautelares impostas ou de comportamento do recorrido que colocasse em risco a instrução ou a ordem pública após sua soltura", pontua o desembargador na decisão.
Quanto às medidas cautelares citadas, a 1ª Vara da Comarca de Arcoverde determinou a proibição de contato entre Higor e as vítimas, restringiu o deslocamento do acusado, com uso de monitoramento eletrônico, e o comparecimento ao Juízo sempre que requerido, havendo a possibilidade de decretação de nova prisão em caso de descumprimento das medidas.
Higor Vicente estava em prisão preventiva desde março. Ele foi denunciado por violação sexual mediante fraude — crime cuja pena varia de dois a seis anos de reclusão — e também por estupro de vulnerável, que prevê pena de oito a quinze anos de prisão. Durante os depoimentos, uma das mulheres ouvidas pela Polícia Civil relatou que, entre 2021 e 2024, foi forçada a manter relações sexuais com o acusado, mesmo sem consentimento, além de ter sido agredida com um cinto e alvo de ofensas verbais.
Outra vítima contou que foi abusada sexualmente após Higor ter colocado substâncias em sua bebida, fazendo com que ela perdesse a consciência. Ao menos cinco mulheres foram identificadas como vítimas do psicólogo, que também trabalhava no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da cidade de Buíque.
A reportagem da CBN Recife procurou o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) sobre a concessão da liberdade a Higor Vicente Tenório Ribeiro. Por meio de nota, o TJPE declarou não poder divulgar informações sobre processos e procedimentos que tratam de crimes contra a dignidade sexual por correrem em segredo de justiça, para preservar a intimidade das vítimas.