Opinião | Enfim a praça, um outro tempo
Foi entregue na última sexta feira, 29, a praça Agamenon Magalhães(requalificada) que fica no centro da cidade do Paulista.
É importante registrar o empenho da atual gestão, ao agilizar as condições para a obra de revitalização da praça, consequência de uma compensação, executada pela empresa Shopping Paulista North Way, um processo que se arrastava há uns dez anos.
A praça é uma referência histórica da cidade, onde as pessoas se encontram, uma área para o convívio social, ali ocorreram protestos e festejos expressando a luta e a cultura do povo paulistense.
É interessante sabermos, qual foi o conceito urbanístico(paisagístico)utilizado na obra, havia muita expectativa, afinal é uma "compensação" ancorada a partir da instalação do shopping(ocorrida em 2015) portanto são dez anos.
Sem adentrar no mérito, mas a conhecer qual foi o conceito implementado(uma vista limpa de todos os ângulos em relação a igreja de Santa Isabel) no mais uma requalificação acanhada, para a importância geográfica, politica e emocional de um povo, era esperado uma intervenção urbana, com maior criatividade e simbolismo.
A "compensação" referente a praça, da forma que se apresenta, provoca um novo tempo pro debate no seio da sociedade, referente a politica de compensações no tocante aos empreendimentos de impacto urbano.
Ora:
- Quais os critérios que definem as ações de "compensação",
- Quem compõe a CEAUS(comissão especial de análise do uso do solo)
O poder legislativo municipal precisa se debruçar sobre essa questão, a lei de uso e ocupação do solo N°3.772 e do ano de 2003, desde então ocorreu pontualmente duas alterações, com a lei N°4584 de 2016, que regulamentou o EIV(estudos de impacto de vizinhança) essa lei retirou o papel do CDU(conselho de desenvolvimento urbano) e em 2021, a lei N°4969 que tratou da regularização de Edificações sem regulamentação municipal.
Passado duas décadas, o cenário é outro, quem está nos bairros, vê e sente os impactos das grandes edificações, seja no período de chuvas, ou no campo dos serviços "estrangulamento" do saneamento(rede de esgoto)
Esse debate precisa ser realizado, a sociedade civil se apropriar dos rumos do desenvolvimento da cidade, afinal desde o destino das áreas da família Lundgren, a cidade virou um canteiro de obras privadas(construção civil) necessárias, mas precisam estar em alinhamento com a qualidade de vida das pessoas, com compensações urbanas que atendam o interesse do povo paulistense.
Pois estamos vivendo um tempo com uma aguda crise climática, afetando as pessoas diretamente nos territórios.
A atual gestão municipal tem como palavra de ordem, PAULISTA NO NOVO TEMPO, nesse caminho, é fundamental o planejamento, quando o estado planeja, o setor privado investe, quando não é aprofundado esse encaminhamento, recai a máxima, "em terra de cego, quem tem um olho é rei" o privado orienta, planeja e executa.
Opinião
Aluizio Camilo
Militante político, ex vereador do PT na cidade do Paulista-PE.