Vereador Ipojuca é suspeito de repassar R$ 12 milhões em emendas para própria associação
Flávio do Cartório está sendo investigado desde 2024 por um esquema de desvio de dinheiro que pode chegar a R$ 27 milhões
Foto: Câmara de Ipojuca/Divulgação
A Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) estão investigando um esquema de desvio de dinheiro que pode chegar a R$ 27 milhões em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. De acordo com a apuração do portal g1, o presidente da Câmara Municipal, Flávio do Cartório (PSD), repassou cerca de R$ 12 milhões em emendas parlamentares para o Instituto Filhos de Ipojuca que, segundo as investigações, pertence a ele e sua família.
No início, a instituição recebia repasses de cerca de R$ 250 mil para projetos esportivos. Logo depois, a organização passou a incluir serviços de saúde e, por conta disso, passou a receber valores milionários.
Flávio do Cartório está sendo investigado desde o início da Operação Alvitre, em outubro de 2024, mas só teve mandado de prisão expedido na segunda fase da investigação. Além dele, o primeiro vice-presidente da Câmara, Professor Eduardo (PSD) também foi preso, mas teve alvará de soltura expedido no dia seguinte. Ainda foram detidos o presidente do Instituto Filhos de Ipojuca e um empresário que prestava serviços ao município.
No total, a polícia e o MPPE cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em Ipojuca, Recife e Bezerros. Ainda de acordo com as informações do portal g1, no momento da prisão de Flávio do Cartório, foram encontradas provas de um possível esquema de “rachadinha”. Os registros traziam nomes de servidores da Câmara e valores que somam R$ 345 mil, sugerindo controle mensal de repasses.
As apurações ainda indicam que os recursos públicos foram destinados a associações de fachada localizadas em outros municípios, sem estrutura ou competência técnica para executar os projetos contratados. No último dia 28 de outubro, uma mulher de 46 anos foi morta no quintal de casa pouco após ir à Delegacia de Porto de Galinhas para depor sobre o caso. Simone Marques da Silva era professora universitária e estaria ligada a uma instituição investigada.
A reportagem da CBN Recife entrou em contato com a Polícia Civil para obter mais informações sobre o caso, mas não obteve resposta até o momento de publicação.
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